Apresentação
Lisbeth Rebollo Gonçalves
"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare".
Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas .
Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, serve de inspiração para o projeto da mostra Um Mundo sem Medidas, com curadoria da crítica de arte francesa, Valérie Marchi. As citações à obra literária estão nos enigmas propostos por onze artistas que debatem questões relativas à fábula e à imaginação: um exemplo é o debate que Alice faz com o Chapeleiro e a Lebre sobre relações inversas (o Chapeleiro argumenta que ver o que se come não é o mesmo que comer o que se vê). Na exposição Um Mundo sem Medidas, as fotografias, pinturas e instalações convidam o visitante (no caso, Alice) a ver “as coisas que não são”. O expectador perde as certezas do cotidiano, confrontando-se com jogos de escalas discrepantes, movimento semelhante ao de Alice que, ao cair na toca do coelho, precisa aumentar e diminuir seu corpo para adequar-se ao novo mundo.
A viagem do expectador por “Um Mundo sem Medidas” assemelha-se, também, às narrativas de Gulliver, nas quais Lilliput apresenta novos desafios. Gulliver enxerga além da realidade dos pequenos lilliputianos. Na presente mostra, os artistas Mireille Loup; Gilbert Garcin; Françoise Pétrovich; Gabriela Vanga; Bertrand Gadenne; Philippe Ramette; Jean-François Fourtou; Samuel Rousseau; Simone Decker; Jèrèmy Dickinson e Agnès Accorsi levam o visitante a ver além do real – a descobrir um mundo poético.
Por último, é preciso destacar que a mostra “Um Mundo sem Medidas” encerra a programação do “Ano da França no Brasil” no MAC USP, revelando contínua observação crítica dos rumos da produção contemporânea. É com satisfação que constatamos que a reunião dessas obras dá oportunidade ao público, frequentador do MAC USP, de refletir sobre o que há de mais contemporâneo cenário internacional.