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Operários na Paulista
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| MAC USP e artista artesãos |
Curadoria Daisy Peccinini e Elza Ajzenberg |
O Museu de Arte Contemporânea da USP e a Galeria de Arte do SESI apresentam a exposição Operários na Paulista - MAC USP e artistas artesãos, um painel da produção dos artistas que formaram o Grupo Santa Helena. São cerca de 100 obras de Rebolo, Pennacchi, Volpi, Graciano, Bonadei, Manoel Martins, Zanini, Humberto Rosa e Rizzotti na exposição que homenageia o centenário de nascimento de Francisco Rebolo. As curadoras organizaram a exposição em torno de três eixos principais que envolvem o Grupo Santa Helena: a questão social, o ofício de artista e a modernidade. Além do acervo do MAC USP a exposição conta com obras trazidas de outras coleções públicas- Instituto de Estudos Brasileiros,Palácio do Governo do Estado de São Paulo - e particulares.
O grupo Santa Helena começou a tomar forma a partir de 1934 em torno do ateliê que Rebolo mantinha no antigo número 43 da Praça da Sé. Outros artistas foram montando seus ateliês nos escritórios do edifício Santa Helena, demolido em 1971. O próprio Rebolo dizia que o Santa Helena não começou como um movimento: "Foi transformado em movimento pelos intelectuais". O grupo era constituído por artistas que mantinham entre si um forte laço de união e amizade, cujo traço comum era não gostar dos acadêmicos e querer a 'pintura verdadeira' que não fosse anedótica ou narrativa - 'a pintura pela pintura', ainda nas palavras de Rebolo.
Foi Mario de Andrade quem denominou o grupo como "artistas proletários" em virtude da origem social e de suas afinidades profissionais e artesanais. Volpi, Rebolo e Zanini eram pintores de parede; Rizzotti, torneiro; Bonadei, bordador; Pennacchi, açougueiro; Manoel Martins, aprendiz de ourives e Graciano já havia trabalhado como ferroviário e ferreiro. Em meio às transformações sociais e políticas do início dos anos 30, os santalenistas correspondem à situação sócio-cultural de uma metrópole em rápida expansão, com forte presença italiana. Volpi e Pennacchi são italianos, enquanto Bonadei, Graciano, Rosa, Rizzotti e Zanini são filhos de italianos. Rebolo é descendente de espanhóis e Manoel Martins, de portugueses.
Além do contexto envolvido pela origem imigrante e humilde, os santalenistas possuem certas especificidades na formação. Alguns chegaram a estudar no exterior, outros realizaram aprendizados na Escola de Belas Artes e há os autodidatas. Entretanto, o que predomina nesses artistas é o esforço pessoal de aprimoramento somado aos ganhos da atividade conjunta. Recolhidos em busca de aperfeiçoamentos técnicos, sem reconhecimento crítico, ignoravam as manifestações vanguardistas. Possuíam, contudo, vocação de artistas e eram guiados por um instinto criador que os conduziria afinal à profissionalização e, posteriormente, à consagração pela crítica.
Nas temáticas abordadas pelos artistas do Grupo prevalecem as paisagens humildes, despojadas, os arrabaldes, trabalhadores anônimos, as naturezas-mortas, a figura humana popular, os temas religiosos e alguns outros motivos e registros do modo de vida dos componentes do grupo, além dos trabalhos derivados das diversas lições de ateliê, quando o grupo reunido realizava sessões conjuntas de pintura. Operários na Paulista mostra um raro momento desse exercício do Santa Helena: um mesmo corpo nu captado por Rebolo e Pennacchi.
A exposição destaca ainda dois desdobramentos relacionados ao Grupo Santa Helena: a Família Artística Paulista, criada com a finalidade de dar espaço e visibilidade através de exposições, aos artistas que estavam distanciados tanto dos salões acadêmicos como do círculo dos modernistas e a Osirarte, pequena firma de azulejos fundada pelo pintor italiano Paulo Rossi Osir, espaço da atuação laboriosa de alguns santelenistas e seu círculo.
Operários na Paulista mostra a união desses artistas ligados por trabalhos de simples pintura de paredes ou de decoração de residências em sua luta contra os limites dos preconceitos acadêmicos para, através da arte, conquistar o seu campo de luta para sobrevivência. Voltados ao seu ofício, à necessidade associativa, ousaram partir de um aprendizado básico através de "lições de atelier " com o objetivo comum de "fazer pintura", de sobreviverem como operários da própria arte.
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