No início dos anos 30, o ambiente cultural do Rio de Janeiro pouco havia ainda entrado em contato com a efervescência modernista que sacudira a paulicéia na década anterior. Nomes isolados, como Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi, Cícero Dias ou Ismael Nery transitavam pela cidade sem importunar o ambiente institucional da Escola de Belas Artes, que tinha suas tradições e disciplinas herdadas da Academia Imperial.

A Academia Imperial, instaurada nos tempos de D. Pedro II, sob os moldes do neoclassicismo francês e, nessa época, houve quem sugerisse que a Escola deveria abandonar a postura de alheamento ao desenvolvimento da arte, como Angelo Agostini.

No final do século XIX, Agostini defendia o fim das idealizações da história e da mitologia sobre o Brasil; para este escritor, os artistas deveriam captar a paisagem do país, para que finalmente se pudesse constituir uma escola efetivamente nacionalista de pintura.

Em suma, com a proclamação da república a Academia é convertida em Escola de Belas Artes e, a despeito do novo regulamento aprovado por Benjamin Constant, a estrutura interna permaneceu calcada nas mesmas estruturas e regras rígidas, o que incluía a rejeição sistemática pelo júri do salão anual da Escola – o Salão Nacional, das obras que não condiziam com as normas acadêmicas reinantes.

 
 

Vanessa Machado (Bolsista IC – FAPESP)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado (coordenadora do projeto)