Fundado oficialmente em 12 de junho de 1931, depois de longas conversas em cafés, o objetivo central do grupo era o aprimoramento técnico e profissionalização de seus artistas. O nome do Núcleo fora dado em homenagem aos professores Henrique e Rodolfo Bernardelli que, indispostos com a rigidez do ensino na Escola Nacional de Belas Artes, montaram um curso paralelo na R. do Ouvidor, em fins do século XIX.

Inicialmente instalou-se nas dependências do estúdio fotográfico de Nicolas Alagemovits, mas em novembro, ainda de 1931, transferiu-se para os porões da ENBA, graças aos contatos políticos de Edson Motta, que foi o primeiro presidente do Núcleo.

 
 


O Rio de Janeiro, neste início da década de 30, praticamente não era influenciado pelo movimento de arte moderna iniciado na capital paulista. A Escola Nacional de Belas Artes, controlada por uma elite refratária, funcionava como baluarte da ordem pictórica estabelecida; seu Salão, rejeitava sistematicamente as obras mais audaciosas, tanto nos temas como nas formas.

Este posicionamento na ENBA não correspondia aos novos tempos e aos novos ideais. O crescimento descompassado de cidades como Rio de Janeiro, colocam em evidência o operariado e a classe média, junto com os problemas e anseios que estes carregam. Paralelamente, a nova geração se articulava no sentido de buscar a penetração das conquistas do modernismo no cotidiano nacional, com propostas que poderiam passar pelo ideal de formação de uma nação ou de destruição dos dogmas da cultura elitizada.

A grande maioria dos "nucleanos" era composta por artistas pobres, que apesar de terem freqüentado outrora a ENBA, precisavam trabalhar durante o dia para pintar à noite e nos fins de semana -quando saíam para pintar motivos fora do ateliê. Ficaram conhecidos na história como uma ala moderada do modernismo, ou mesmo como conservadores, estigma que tem como referência a estética revolucionária, porém importada, de 1922. Dentre os principais participantes, estão: Ado Malagoli, Bráulio Poiava, Bruno Lechowski, Bustamante Sá, Edson Motta, Eugênio Sigaud, Expedito Camargo Freire, João José Rescala, Joaquim Tenreiro, José Gomez Correia, José Pancetti, Manoel Santiago, Milton Dacosta, Quirino Campofiorito, Yoshia Takaoka e Yuji Tamaki.

Em 1935 o Núcleo foi expulso daqueles porões e seus integrantes passaram a reunir-se ocasionalmente, conseguindo às vezes uma reativação das atividades em alguma outra sede. Os nucleanos iam aos poucos dispersando-se, ocupando cargos nas escolas de arte fundadas por todo o Brasil e percorrendo, com os prêmios viagens que obtinham nos Salões oficiais, o país e o exterior. Nesta inconstância, de locais e de membros, permaneceu até 1941, ano de funcionamento de seu último reduto, na Praça Tiradentes n.º 85.



Emblema do Núcleo Bernadelli


Catálogo do 1º Salão — Junho 1932


Aula de modelo vivo


Abertura da 4ª exposição

 
 


O Núcleo Bernardelli representou importante papel na divulgação das possibilidades de uma arte moderna no Rio de Janeiro, numa batalha travada muito mais no campo institucional que no estético.

* Depoimento de Edson Motta, In: MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: a arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 1982, p.29.

 
 

Vanessa Machado (Bolsista IC - FAPESP)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado (coordenadora do projeto)