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Giuseppe Gianinni Pancetti teve origem humilde. Aos 11 anos de idade foi para a Itália com o tio a fim de melhorar sua condição e aliviar as despesas da família, idéia que não teve sucesso na prática; invariavelmente sua vida foi marcada por uma pobreza, que só atenuou-se um pouco quando começou a vender seus quadros nos anos 30. Em 1920 voltou para São Paulo, onde trabalhou como pintor de paredes, dentre outros tantos pequenos serviços que fazia para sobreviver. Em 1922, partiu para o Rio de Janeiro, onde alistou-se, neste mesmo ano, na Marinha de Guerra do Brasil, para aí permanecer até 1946, (quando reformou-se como Segundo Tenente), e para aí lutar nas revoluções que se desenrolavam (1922, 1924, 1930, 1932, 1935), irremediavelmente, ao lado das tropas do governo. |
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Tornou-se pintor sem freqüentar aulas teóricas sobre a arte da pintura e, neste sentido, foi um auto-didata. Segundo ele próprio: "certa vez, não sei como, tive vontade de pintar aquilo que meus olhos viram na louca carreira do mar". Na Revolução de 1932 desenhou a cena de um combate que presenciara, entre um navio e um avião, que foi publicada em seguida no A Noite, fato que repercutiu um pouco no meio artístico. Sempre se
interessou em fixar paisagens e ficou conhecido sobretudo por suas marinhas.
O interesse constante pela arte da pintura fez com que Pancetti se matriculasse
nas aulas do Núcleo Bernardelli, em
1933, onde certamente entrou em contato com algumas técnicas formais,
tendo sido orientado pelo pintor polonês Bruno Lechowski. Ali, conviveu
com artistas como Milton Dacosta, Edson Motta, Antônio Bento, entre
outros, mas não permaneceu por muito tempo. Neste mesmo ano expôs
pela primeira vez no Salão Nacional de Belas Artes, Salão
que lhe premiaria diversas vezes nos anos seguintes. Em 1941, quando foi
criada a Divisão Moderna deste evento, ganhou o prêmio de
viagem ao exterior, mas uma tuberculose o obrigou a trocar o estrangeiro
pelo clima de campo de cidades como Campos do Jordão SP,
e São João del Rei MG, entre outras, cujas paisagens
passariam a configurar em suas telas. Pancetti é o exemplo de artista que iniciou seu trabalho nos conturbados anos 30. Sua obra de retratista carrega algumas das questões tangentes destes tempos e suas marinhas e paisagens terrestres atestam o programa nacionalista em voga, independentemente de o artista estar ou não a par destas questões da Modernidade. Pancetti, apesar da desvinculação constante de movimentos coletivos, correspondia ao meio no qual estava inserido, tanto no sentido histórico quanto de qualidade plástica. Em 1950 instalou-se na Bahia, cujo colorido da paisagem passou a fazer parte de suas composições. Participou da Bienal de Veneza neste ano, e no seguinte, da I Bienal de São Paulo. Morreu aos 56 anos, num momento em que, a constante economia dos detalhes nas formas, fator que percorreu toda sua obra, alcançava certa proximidade com a abstração. |
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* Pancetti, José, In: Jayme Maurício, Pancetti: notas de agonia. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 03/11/1962. |
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Vanessa Machado (Bolsista IC- FAPESP) Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado (coordenadora do projeto) |
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