Di Cavalcanti
Rio de
Janeiro, RJ, 1897
Rio de Janeiro,
RJ, 1976
"Era uma profunda e doida vida de artista a minha vida naqueles
anos que precederam a Revolução de 30. Vida de artista
possuído de uma grande inquietação humana dos
problemas sociais."
Di Cavalcanti, 1971
Após ter permanecido por dois anos em Paris, onde entrou
em contato com os principais vanguardistas europeus e com a efervescência
política do momento, retornou ao Brasil em 1925, marcado
definitivamente por uma temática voltada ao social.
O ano de 1928 foi um marco; foi onde Di "oficializou"
a tendência afetiva que o inclinava às questões
sociais:
"Abri o portão de uma velha casa de cômodos...
Ali morava preto Salvador. Tinha ido à Rússia. Éramos
umas quinze pessoas ouvindo: operários gráficos,
carpinteiros, duas mulheres... E foi naquela noite que assinei
meu nome no Partido Comunista". Di Cavalcanti.
Durante a década de 30 a obra de Di, por um lado se dedica
à denúncia do Brasil da corrupção
e da desordem política, e por outro, ao cortejamento dos
aspectos sociais do país. A primeira vertente está
representada essencialmente em seus desenhos, e a segunda, em
suas pinturas.
Em 1931, participou do Salão Revolucionário da Escola
de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde foram expostas obras tanto
de acadêmicos como modernos. Em 1932, ao lado de Flávio
de Carvalho, Antônio
Gomide e Carlos Prado
fundou o Clube dos Artistas Modernos, associação
positivamente comprometida com as questões tangente ao
homem, à arte e à sociedade. Em 1933 participa da
2 ª Exposição de Arte Moderna da SPAM. Entre
1935 e 1940 morou na Europa com sua então companheira Noêmia
Mourão. Apesar da ausência no país, seu trabalho
figurou no 2 º (1938) e 3 º Salão de Maio (1939).
Houve quem denunciasse o conteúdo social de suas pinturas
como estático e a-político, o que de fato constitui
uma grande injustiça, uma crítica que perpassa o
viés anacrônico e não consegue reconhecer
em Di, o que Mário Pedrosa muito bem identificou: "Sendo
o mais brasileiro dos artistas, foi o primeiro a sentir que entre
o interior, a roça, o sertão e a avenida, o "centro
civilizado" havia uma zona de mediação -o subúrbio.
No subúrbio vive o verdadeiro autóctone da grande
cidade. Já não é caipira mas ainda não
é cosmopolita. O que já se passa é autêntico,
de origem e de sensibilidade..." Além deste conteúdo
pioneiro nas artes plásticas, ainda reside em Di o lirismo
de representar as classes populares através de sua dignidade
e beleza e não de sua miséria.
Em 1951 participa como artista convidado da primeira Bienal de
São Paulo. Participa de outras bienais, inclusive estrangeiras,
ganhando medalha de ouro em 1960 na II Bienal Interamericana do
México. Nesta década, Di se proclama um defensor
fervoroso da figuração, tecendo críticas
ferozes aos abstracionismos.
Deixou um legado, que é lírico e crítico,
nas técnicas distintas. Escrevera certa vez: "Fui
de esquerda, mas meu marxismo era mais um sentimento humano e
emotivo do que partidário". Mas certo é que
esse engajamento, ainda que no plano da idealidade, refletiu-se
com riqueza no seu trabalho.
Vanessa S. Machado
(bolsista IC / FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)
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