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(Lanus, Argentina, 1911 - Salvador, BA, 1997)
Nascido na Argentina,
criado entre Roma e Gênova e adotado pela Bahia, Carybé
(Hector Júlio de Pari Bernabó) foi uma das figuras marcantes
da cidade de Salvador. Seus traços simples, que às vezes se
aproximam dos desenhos da arte pré-histórica, retratam as mulatas
lavadeiras, os pescadores e as prostitutas e capoeiristas, as casas antigas
e ladeiras, sempre representados em um amontoado festivo e humano.
O primeiro contato
do pintor com a Bahia foi em 1938, contratado para fazer uma reportagem sobre
Lampião - que encontrou já decapitado. Em 50 voltou definitivamente,
contratado para desenhar a capital baiana, e passou a integrar um movimento
pela atualização do ambiente artístico e cultural no
estado, junto com Mário Cravo,
Jenner Augusto e Genaro
de Carvalho, entre outros. A partir daí transformou-se em uma
personagem típica da cidade de Salvador, como Jorge Amado e Mãe
Menininha do Cantoá. Envolveu-se com o candomblé - era filho
de Oxossi e Obá de Xangô, posto alto dentro da religião
- e o misticismo invadiu sua obra, que se encheu de orixás e terreiros,
e na década de 80 resultaram no livro Iconografia dos Deuses no Candomblé
da Bahia, com 128 aquarelas de Carybé e fotografias de Pierre
Verger, etnólogo estrangeiro radicado em Salvador, apresentação
de Jorge Amado e de Antônio Carlos Magalhães.
Apesar de ter começado a expor em Buenos Aires durante a década de 40, foi somente depois de sua mudança para Salvador que sua obra se definiu e ganhou força. Entre 51 e 63 participou de 5 Bienais de São Paulo, ganhando em 55 o prêmio de melhor desenhista nacional e merecendo sala especial na de 61. Em 56 teve sala especial na XXVIII Bienal de Veneza. Ilustrou obras de Jorge Amado, Rubem Braga e Gabriel García Márquez, além de uma edição de 79 de Macunaíma, de Mário de Andrade, com prefácio de Antônio Bento. Fez cenários para o cinema, como os 1600 desenhos para a primeira versão do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, onde também atuou como figurante e fez a abertura da novela Gabriela.
Seus murais, influenciados por Picasso e Diego Rivera, estão espalhados por Salvador, Nova York e Londres, trazendo uma profusão de detalhes e coloridos que reafirmam o misticismo dos Orixás, sempre presentes, e a sensualidade do povo humilde de Salvador. Sem dúvida, seu domínio sobre o desenho dá a Carybé liberdade para trabalhar com diversos materiais e imprimir a cor como elemento de reforço da linha, o que o coloca entre os mais importantes artistas brasileiros.
Cassandra
de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado [orientadora]