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(Salvador, BA, 9/ 11/ 1922 - São Paulo, SP, 30/ 12/ 1991)
Considerado um
dos mestres do construtivismo no Brasil, Rubem Valentim é comparado
a Alfredo Volpi e Tarsila
do Amaral, no sentido em que os três, cada um a seu modo e a
seu tempo, criaram uma linguagem individual que os tornou facilmente reconhecíveis
até para um público leigo através da realização
de uma antropofagia de fato, reunindo influências externas para criar
uma arte autenticamente brasileira, partindo de imagens subjetivas mas construindo
sua obra objetivamente. No caso de Rubem Valentim, isto está
claro nos seus emblemas que, a partir de signos do candomblé, se transformam
em uma simbologia construtiva consoante com a linguagem internacional.
Nascido em Salvador,
Valentim formou-se em odontologia antes de se dedicar definitivamente
à pintura, por volta de 48. Cursou jornalismo ao mesmo tempo em que
se envolvia com a pintura, e em 54 realiza sua primeira individual. Envolve-se
com o movimento de renovação artística da Bahia, expondo
em 55 na mostra Novos Artistas Baianos com Mário
Cravo Jr., Jenner Augusto
e Lygia Sampaio. Neste mesmo ano participa da III Bienal de São Paulo,
onde começa a ser reconhecido nacionalmente.
Em 57 transfere-se
para o Rio de Janeiro onde participa de diversas exposições
até que, em 1962, recebe o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no
XI Salão Nacional de Arte Moderna. Viaja por vários países
até fixar-se em Roma, onde permanece por mais de três anos. Participa
de diversas exposições coletivas, realiza uma individual na
Casa do Brasil e, antes de voltar ao país, em 66, participa do I Festival
Mundial de Arte Negra, em Dacar, Senegal.
Convidado a lecionar no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília, transfere-se para a cidade, onde constrói sua casa com o intuito de transformá-la em um Centro Cultural, o que, por falta de apoio, nunca acontece. Ao mesmo tempo, expõe em várias capitais brasileiras, é convidado para a I Bienal Internacional de Arte Construtiva em Nuremberg ( 69 ), recebe, em 67 e 73, os prêmios de aquisição nas IX e XII Bienais de São Paulo, entre outros prêmios, e em 1976 divulga o Manifesto ainda que tardio, onde enumera os objetivos de sua arte.
Suas primeiras
experiências foram abstratas, e longo em seguida aparece a simbologia
mística que irá marcar a sua obra: em um primeiro momento os
signos litúrgicos afro-brasileiros aparecem agrupados sobre a tela,
com uma organização quase acidental, mas aos poucos vai acontecendo
uma espécie de limpeza e eles se organizam simétricamente
sobre o quadro. As cores sofrem uma grande mudança, já que os
tons dão lugar às cores puras em grandes chapadas sobre a tela.
Como se pode notar, a arte de Rubem Valentim sofre rapidamente uma definição temática, que irá se prolongar e se renovar coerentemente por toda a sua carreira. Por volta do fim da década de 60, quando transfere-se para Brasília, ele passa da bidimensionalidade para a experiência com o tridimensional, que é um processo claro em sua obra, já que suas pinturas têm uma forte distinção entre figura e fundo, aquela quase que pulando do quadro. Estes objetos irão constituir os altares, como o Templo de Oxalá, obra apresentada na XIV Bienal de São Paulo (77), que apresentava um painel de 14 metros de largura por 4 de altura com seus símbolos afro-brasileiros em branco sobre um fundo azul, e vinte esculturas emblemáticas, também em branco, de diversas alturas, sobre um tapete verde, organizando um ambiente mítico ou um altar.
Cassandra
de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado [orientadora]