Os anos 30 e 40 foram de sistematização
do modernismo, ou de rotinização do programa das vanguardas.
A geração agora atuante nas artes plásticas se
caracteriza pela ausência de uma formação erudita
internacional e de informação acerca das vanguardas dos
grandes centros. Seu conhecimento do ofício da pintura provêm
dos cursos profissionalizantes do Liceu de Artes e Ofícios e
de seus mestres. Os artistas desta geração são
operários e artesãos que vivem com dificuldades, que trabalham
em outros ofícios para se sustentar.
A continuidade do espírito moderno se dá
geralmente através de associações ou grupos de
artistas no Rio, em São Paulo, e em Belo Horizonte. Em São
Paulo surgem, a partir de 32, a Sociedade Pró Arte Moderna (
SPAM ) e o Clube dos Artistas Modernos ( CAM ), o grupo do Santa Helena
e o grupo dos nipobrasileiros, o Seibi-Kai, além dos desdobramentos
destes grupos, como a Família Artística Paulista, os Salões
de Maio e a Osirarte, entre outros. No Rio de Janeiro acontece em 1931
o Salão Revolucionário, de onde emergem o Núcleo
Bernadelli e o Grupo Flor do Abacate, além de Cândido Portinari
de forma isolada; em Belo Horizonte, Alberto da Veiga Guignard inicia
o projeto do modernismo, com seu ateliê-escola.O grupo do Santa
Helena está presente com seus principais artistas - Bonadei,
Graciano, Pennacchi, Rebolo , Volpi e Zanini - e os temas característicos:
paisagens urbanas, semi-rurais, cenas populares de interior ou de festas.
Elementos próximos aos santelenistas, Ernesto De Fiore e Póla
Rezende, mais tarde trazem ecos do expressionismo alemão na pintura
e na escultura. As obras de Portinari - um retrato simbolista e uma
complexa composição com figura de qualidade monumental,
e a paisagem de José Pancetti trazem os rumos da modernidade
carioca. A cena lírica e paisagem mineira de Guignard é
uma amostra do percurso da modernidade em Minas.
É interessante ressaltar a aproximação americana
que irá tomar lugar com a iminência da Segunda Guerra,
o que irá trazer financiamento para alguns artistas e levar diversos
modernos brasileiros a expor nos Estados Unidos, apesar de negligenciar
uma temática de crítica social em prol de uma exaltação
aos trabalhadores rurais e mestiços. O destaque dado a essas
exposições nos jornais brasileiros denunciam o provincianismo
da crítica brasileira, atendendo aos anseios tanto americanos
quanto do próprio governo brasileiro de proporcionar uma visão
paternalista e preocupada com as questões da liberdade e dos
trabalhadores. Esta política beneficiará Portinari, premiado
no Carnegie Institute e recebendo grande projeção no Pavilhão
Brasileiro na Feira Mundial em Nova York, em 1938.
Cassandra Gonçalves
(Bolsista IC- FAPESP)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
(Orientadora do Projeto)