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Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: “A renomada arte de Charlotta Adlerova”. In: Jornal BASF – No 62. São Paulo, agosto de 1979.Referência: Charlotta. São Paulo: MAC-USP, 1979.

CHARLOTTA ADLEROVA
Berlim, Alemanha, 1908. São Paulo, SP, 1989

Artista plástica e publicitária, Charlotta é uma pesquisadora de novas formas e novos materiais, encontrando na geometria a sua linguagem.

Nascida em Berlim, estudou na Escola de Artes e Ofícios Berlin-Charlottenburg, realizando aquarelas figurativas sobre papel, em 1926, e pinturas expressionistas. Veio ao Brasil em 1939, estabelecendo-se em São Paulo, e estudando pintura com Valdemar da Costa. No final dos anos cinqüenta, participou do Atelier Abstração II, de Samson Flexor, realizando trabalhos abstrato geométricos. Charlotta expôs com o grupo em 1961, na Associação Cristã de Moços, em São Paulo.

Charlotta começou então a fazer os seus Scratch Boards, que a própria artista definiu como sua fase mística. Eram desenhos raspados que pareciam flutuar nos fundos escuros. Depois, a artista realizou trabalhos geométricos sobre isopor, onde buscava o movimento, desenhando quadrados repetidos em evolução: os “polípticos”. Samson Flexor, em 1968, disse desta fase de Charlotta: “com efeito, a superposição excessiva de vários e sempre mesmos polígonos regulares, estimula o ‘espirit de finesse’ do geômetra que dorme em cada um de nós, para descobrirmos uma infinitude de novos polígonos resultantes”.

A partir de 1969, trabalhou também com a gravura, em composições geométricas. Depois, deixou de lado os quadrados, se dedicando às espirais, que criavam novos jogos rítmicos. A artista também utilizava a colagem de fitas nas gravuras.

Charlotta foi também uma das precursoras da história da propaganda no Brasil, trabalhando em agências até 1965, e expondo nas galerias das agências J. Walter Thompson, em São Paulo e Nova Iorque, entre 1964 e 1971. Francisco Gracioso disse deste aspecto da artista: “ao chegar ao Brasil, em 1939, Charlotta trouxe uma sólida bagagem artística e cultural, que lhe permitiu incorporar-se rapidamente ao núcleo mais ativo da então nascente propaganda brasileira. Introduziu novas técnicas e transformou-se em braço direito dos grandes diretores de arte da época”. Charlotta afirmou que a Escola de Artes e Ofícios Berlin-Charlottenburg que cursara em 1926 possuía o currículo fortemente influenciado pelos ensinamentos da Bauhaus, em que arte, arquitetura e design eram fundidos ao mesmo aprendizado, formando-se “artistas-totais”.

A artista ainda participou dos VI, VII, XIV, XV e XVII SPAM, entre 1957 e 1968, e integrou a XI Bienal Internacional de São Paulo.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]