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Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: Eichbaum, Gisela. Canções sem Palavras. São Paulo: MASP, 1986. Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.

GISELA EICHBAUM
Manheim, Alemanha, 1920. São Paulo, SP, 1996.

“A delicada obra de Gisela me toca profundamente, enquanto me entroso com as suas formas flutuantes e o seu sentimento de mistério torna-se o meu. Nesta obra aconteceu o que Paul Klee disse da arte: ‘o invisível tornou-se visível’”, disse Liseta Levi sobre a obra da artista .

Nascida na Alemanha, veio ao Brasil em 1935. Gisela iniciou figurativa, trabalhando a figura humana já de forma expressiva e reduzida ao essencial. Nos anos cinqüenta, estudou no Atelier Abstração de Samson Flexor por um curto período, pois se sentia presa à extrema rigidez geométrica de seu mestre. Estudou ainda com Yolanda Mohalyi e Karl Plattner. Na década de sessenta, a abstração expressionista surgiu como um desenvolvimento natural de sua obra e libertação pessoal.

O processo de transformação da figuração para a abstração foi assim definida por José Neistein: “as primeiras pinturas de Gisela são de caráter projetivo, e estão carregadas de angústia e fantasias mórbidas. À medida que seu aprendizado artístico vai-se processando, sua personalidade vai-se aprofundando, e seu nível de consciência se torna mais alto. Já no período final de suas figurações, de seus retratos, suas paisagens urbanas e suas naturezas mortas, a cor e a forma se fundem, cada vez mais objetivas e coesas, e cada vez menos amarradas. Uma vez fundidas a forma e a cor, daí para o informalismo expressivo era apenas um passo” .

A musicalidade sempre esteve presente em sua vida, descendente de uma família de músicos. Gisela tornou visível em suas obras esta musicalidade, o que nos faz lembrar as obras de Kandinsky.

Em seus livros Canções sem Palavras, de 1986, e Meu Diário, de 1994, Gisela reproduz obras de sua autoria em guache, pastel e farbminen sobre papel. Observamos nestas obras, com surpresa e delicadeza, que a artista, as linhas, as formas, as cores, e a música se fundiram.

A artista participou das VIII e IX Bienais de São Paulo, além de diversas mostras no Brasil, na Áustria, na Espanha, nos EUA, em Israel, no Japão e no Paraguai. Em 1983, o MASP realizou uma mostra retrospectiva de sua obra, juntamente com o Brazilian-American Cultural Institute, em Washington, EUA. Neste ano, recebeu o prêmio de melhor desenhista pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]