Imagens (clique para ampliá-las)
Referência: Flexor e o Abstracionismo no Brasil. São Paulo: MAC-USP, 1991.Referência: O Trajeto Abstrato de Wega Nery. São Paulo: MAC-USP, 1994.Referência: Arte Construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1998. P. 23.Referência: Wega Nery: reflexos do real invisível. São Paulo: MWM, 1987.	Referência: O Trajeto Abstrato de Wega Nery. São Paulo: MAC-USP, 1994. P. 05. Referência: negativo p/b do acervo do MAC-USP.

WEGA NERY
Soroca, Bessarábia (Romênia), 1907. São Paulo, Brasil, 1971.

“A tona do mundo irrompem
Os mundos de Wega
Violentos
Verdenatais Vermelhoníricos
Fazendo acordar a Natureza.
O último? O primeiro
Dia da Criação inaugura
A vida tensa
Em que a terra é sonho do homem
E a criatura descobre sua íntima
Dramática estrutura.”
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade foi tema de telas de Wega em 1968. A abstração, como dizia Kandinsky, é uma linguagem que consegue sintetizar, em sua origem e pureza, outras formas de expressão, como a música e a poesia. Isso porque busca uma espiritualidade que é matéria mesma da natureza humana – é esta essência que buscou Wega Nery durante toda sua obra.

Passou a infância no Pantanal Matogrossense. “Acho que muito do que eu pinto vem da minha infância naquele paraíso de uma natureza quase intocada pela mão do homem que é Mato Grosso. (...) Talvez tudo se resuma à beleza de Mato Grosso e à minha eterna busca da espiritualidade”, disse a artista . Pintou seus primeiros óleos entre 1943-45 cursando, a partir de 1946, a Escola de Belas Artes em São Paulo. Em 1949, estudou com Yoshiya Takaoka, participando do Grupo Guanabara, a partir de 1950, expondo com o grupo até 1958. Em 1951, se impressionou com Soulages, na I Bienal de São Paulo.

Em 1953, integrou o Atelier Abstração de Samson Flexor durante cinco meses, realizando diversos desenhos e pinturas abstratas. Mas como sua natureza era mais intuitiva que a do seu mestre, utilizou seus rígidos métodos apenas como base, para depois superá-los.
Continuou suas pesquisas com a abstração, expondo individualmente, em 1955, no MAM-SP. Desta mostra escreveu Osório César, no jornal A Gazeta, em 20/09/1955: “Podemos perceber em suas formas não figurativas espírito um tanto irriquieto, numa fuga da realidade para o mundo de sonhos. (...) Wega é uma artista honesta, que trabalha sem a matemática, o compasso e o esquadro, como acontece com a maioria dos artistas abstracionistas”. Em 1957, ganhou o prêmio de desenho na IV Bienal de São Paulo.

A partir do início dos anos sessenta, a artista começou a pintar as suas Paisagens Imaginárias. Em 1963, expôs em Sala Especial na VII Bienal de São Paulo. Geraldo Ferraz escreveu sobre estas obras, no jornal O Estado de S. Paulo, em 05/10/1963: “desdobrou a pintura brasileira, de seu teor tantas vezes regional, para uma repercussão que possui toda a força de uma revelação invadindo as áreas do universal”. Suas obras abstratas líricas mantêm fortes relações com a natureza. Wega observa o mundo, mas ao invés de representá-lo como o vê a perspectiva matemática, insere seus elementos em um universo imaginário e diáfano. Wega vê o mundo, mas a paisagem que pinta é a paisagem de si mesma.
O MAC-USP realizou a mostra O Trajeto Abstrato de Wega Nery, em homenagem à artista, em 1994.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]