“Os seus membros são todos jovens. (...) Isso quer dizer que o grupo está aberto... para o futuro, para as gerações em formação. Mais promissor ainda é o fato de o grupo não ser uma panelinha fechada, nem muito menos uma academia onde se ensinam e se aprendem regrinhas e receitas para fazer Abstracionismo, Concretismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, realismos e neo-realismos e outros ismos. (...) Aí está Elisa ao lado de Serpa; Val junto a Lygia Clark; aí estão Franz Weissmann e Lygia Pape; Vincent, romântico, encostado a João José, concretista; e Décio Vieira e Aluísio Carvão, irmãos mas tão diferentes! E não falemos nesse terrível Abraham Palatnik, inventor, construtor, novelista”, prefaciou Mário Pedrosa a II Mostra Coletiva do grupo, no MAM-RJ, em julho de 1955.

Em 1951, no Rio de Janeiro, a arte abstrata era defendida por meio do próprio Mário Pedrosa, que reunia artistas em sua casa. Nesta época, Volpi e Milton Dacosta já desenvolviam trabalhos que os levariam à abstração. Ivan Serpa e Almir Mavignier começavam a romper com a linguagem figurativa. Abraam Palatnik, em 1951, construía seu primeiro aparelho cinecromático. Na I Bienal Internacional de São Paulo, Ivan Serpa ganhou o prêmio de jovem pintura nacional, e o aparelho de Palatnik foi exposto. Anunciava-se uma mudança, em que os abstracionismos chegavam ao conhecimento do público, e passavam a influenciar um número maior de artistas.

Após a I Bienal, reuniram-se em torno de Ivan Serpa alguns de seus ex-alunos, e artistas como Lygia Clark, Lygia Pape, Aluísio Carvão e Décio Vieira. Expuseram juntos pela primeira vez em 1954, no Instituto Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janiero, sob o nome de Grupo Frente. Em 1955, uniram-se ao grupo, por ocasião de sua II Exposição, no MAM-RJ: Franz Weissmann, Hélio Oiticica, João José da Silva Costa, Abraham Palatnik e Eric Baruch.

Diferentemente do movimento neoconcreto, que tinha o apoio documental do Jornal do Brasil, o Grupo Frente foi pouco documentado. Quanto ao nome do grupo, alguns atribuem a Serpa. Gullar contou que na época existia um caderno de poesias fabricado por ele próprio, com folhas soltas e, que na primeira folha, havia escrito a palavra “frente”. Certo dia Serpa viu o caderno e perguntou: “o que quer dizer isso?”. Ele respondeu: “nada. A palavra está aí só para indicar por onde devo abrir.” Meses depois, Serpa dizia a Gullar que daria o nome de Frente para o grupo. (COUTINHO, Wilson. “O Grupo Frente: modernos, radicais e românticos”. In: Jornal do Brasil, 05/11/1984)

Apesar da origem concreta, sob influência de Max Bill, o grupo não obedecia a padrões formais restritos. Participavam também do grupo Elisa Martins da Silveira, pintora naïf, e Carlos Val, que veio do curso de arte infantil de Ivan Serpa. “A presença desses dois artistas não contrariava a posição teórica do grupo, sempre interessado nas manifestações estéticas puras como a pintura primitiva, a arte dos loucos e das crianças”, explicou Ferreira Gullar (1985, p. 229). “Para esses artistas, a linguagem geométrica não era um ponto de chegada mas sim um campo aberto à experiência e à indagação.” Esta maior liberdade ideológica os diferenciava do Grupo Ruptura de São Paulo.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra Daisy Peccinini
[orientadora - MAC-USP]

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GRUPO FRENTE
Rio de Janeiro, 1954-1956