ABRAHAM PALATNIK– ANÁLISE

Aparelho Cinecromático, 1958
Objeto cinético (madeira, plástico, lâmpadas e motor)
112,0 x 74,0 x 20,0 cm
Aquisição MAC-USP/Doação AAMAC

Referência: CINTRÃO, Rejane; NASCIMENTO, Ana Paula. Grupo Ruptura. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. p. 55

Resultado de experiências anteriores com luz e movimento, o Aparelho Cinecromático é uma máquina que fabrica lirismo e jogos de percepção. Trata-se de uma caixa que possui em seu interior lâmpadas e telas coloridas que se movimentam acionados por motores. Este mecanismo gera para o espectador uma série de imagens de luz e cor em movimento, que surgem através de uma superfície semitransparente. É interessante notar que aqui a luz não é produzida como uma ilusão, e sim utilizada diretamente. Considerada uma das pioneiras no mundo em arte cinética, podemos analisá-la sob dois pontos centrais. Em primeiro lugar, aproxima-se da arte concreta, no sentido da relação com a industrialização (a máquina, a engenharia, o projeto), da criação de uma quarta dimensão na obra de arte - o tempo -, dado aqui pelo movimento, e da experiência direta de percepção entre o espectador e a obra. Em segundo, há uma quebra com o excessivo racionalismo da arte concreta, no sentido do lirismo obtido pelo uso das cores em movimento.

O primeiro aparelho cinecromático, de 1949, obteve menção honrosa pelo júri internacional na I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, apesar de ter sido inicialmente recusada pelo júri nacional, por não se enquadrar em nenhuma categoria regulamentada de artes plásticas.

Tatiana Rysevas Guerra (bolsista FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini (orientadora)