|
Waldemar
Cordeiro
no ateliê, 1949 |
![]() |
|||||
![]() |
|
|||||
|
Nasc.:
Roma, Itália, 1925 Waldemar Cordeiro era um homem urbano e politizado que procurava edificar sua arte com um profundo respaldo teórico, sempre atualizando sua obra com as novas questões contemporâneas. Além de artista plástico, participou ativamente da vida cultural brasileira em áreas como o design, a ilustração, o jornalismo, o paisagismo, a crítica de arte e a informática, além de ter sido líder do movimento de arte concreta em São Paulo nos anos 50, pioneiro no Brasil da arte eletrônica, no início dos anos 70,.e ainda ter realizado experiências com a fotografia e a nova figuração, na década de 60. Apesar
de ter nascido em Roma, foi registrado no Consulado Brasileiro, tendo
portanto dupla nacionalidade. Na Itália, estudou na Academia
de Belas-Artes, e lia Gramsci, Max
Bill, Wolflin, Fiedler e Worringer. Trabalhava como cartunista,
quando veio a São Paulo conhecer seu pai, que era brasileiro,
em 1946. No Brasil, em 1947, junto com Bassamo Vaccarini, organizou
uma mostra de artistas modernos, e pintou murais para a Igreja do Bom
Jesus, no Brás. Escrevia críticas de arte na Folha da
Manhã, e sua pintura nesta época era de cunho expressionista.
Ainda em
1947, na exposição 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia,
conheceu Geraldo de Barros, Lothar
Charoux e Luiz Sacilotto, futuros
companheiros do Grupo Ruptura. Viajou para Roma em 1948, e optou pela
cidadania brasileira. Ao retornar a São Paulo, fundou o Art
Club, promovendo intercâmbio cultural com o exterior. Um dos
artistas que Cordeiro trouxe ao Brasil foi Kazmer
Féjer, que anos depois também passou a integrar o
Grupo Ruptura. A obra de Cordeiro
vai, no final dos anos 40, aproximando-se cada vez mais dos ideais construtivistas,
que uniam as artes ao universo industrial, e às idéias
de Antonio Gramsci, que propunham às artes papéis mais
amplos, como a atuação política e social. Queria
criar um projeto que, por meio da arte, do paisagismo e do urbanismo,
melhorasse a vida nos centros urbanos. Em 1951, Cordeiro já expunha sua obra concreta Movimento na I Bienal Internacional de São Paulo. Após a Bienal, os artistas que formariam Grupo Ruptura se organizaram em torno de discussões e produções artísticas. Em 1952, os resultados deste trabalho foram o Manifesto Ruptura, cujo texto os críticos atribuem ao próprio Cordeiro, e a exposição inaugural do grupo, no MAM-SP. Ainda em 1952, aproximou-se dos poetas concretos Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, e fez alguns estudos de paisagismo. Em 1953, foi para o Chile e a Argentina, em companhia de Décio Pignatari, onde estabeleceu contato com o movimento concreto argentino e com o artista Tomás Maldonado. Durante os anos 50 Cordeiro expôs em diversas mostras de arte concreta, e defendeu fielmente os princípios do concretismo nas artes, em polêmicas com críticos como Sérgio Milliet e Ferreira Gullar, publicadas em jornais e revistas. Quando, nos anos 70, realizou as primeiras experiências no Brasil com arte eletrônica, Cordeiro afirmava que no Brasil a Computer Art encontrou antecedentes metodológicos na Arte Concreta. Tatiana
Rysevas Guerra
|
||||||