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Membros
do Grupo Ruptura numa cantina: Luís Sacilotto, Waldemar Cordeiro
e Geraldo de Barros, 1953
Exposição
Ruptura no
Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1952 Foto
de membros do Grupo Ruptura (da esq. p/ dir.): Lothar Charoux, Anatol
Wladyslaw, Kazmer Féjer e Waldemar Cordeiro, observando o quadro
de
Di Cavalcanti, O Beijo. 1952 |
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Sob o impacto da I Bienal Internacional de São Paulo, e da vinda delegação dos artistas construtivistas suíços, principalmente Max Bill, surgiu em São Paulo o movimento concreto. O grupo inicial era formado por Waldemar Cordeiro, Lothar Charoux, Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto, Kazmer Féjer, Anatol Wladyslaw e Leopoldo Haar, artistas que desde a década anterior realizavam experiências com a abstração, abandonando a representação da realidade em suas obras. A arte representativa não respondia às novas questões do mundo industrial. Era necessária uma nova forma de arte, que pensasse e agisse diretamente na sociedade contemporânea. Os artistas se reuniam regularmente para discutir os novos caminhos da arte, da arquitetura e do design (termo este que era novidade no Brasil). A idéia era organizar um projeto de reforma para a cultura brasileira. Assim, não existiria nome mais significativo do que Grupo Ruptura. Eu,
Cordeiro, Charoux,
Féjer, Geraldo
de Barros nos encontrávamos quase que semanalmente. Uma cantina
na rua Santo Antonio: perninha de cabrito e vinho italiano e dali, dos
papos que nós tínhamos, é que surgia a idéia.
Então o Cordeiro, que era o organizador,
me convidou: mês que vem, daqui a dois meses, há uma proposta
para expormos no Rio de Janeiro. Então, juntávamos alguns
trabalhos. (...) Nos conhecíamos de perto., lembrou Luiz
Sacilotto, em uma entrevista em 2002, disponível na biblioteca
do MAC-USP. Em
9 de dezembro de 1952, o Grupo Ruptura realizou sua primeira
exposição, no Museu de Arte Moderna de São Paulo,
local de grande efervescência cultural, na época na Rua
7 de Abril. Foi o modo encontrado de oficializar a existência
do grupo. Os próprios artistas realizaram a montagem de suas
obras no local da exposição. Os
membros assinaram e distribuíram para o público da exposição
o Manifesto
Ruptura, que continha, no formato de palavras de ordem e com um
projeto gráfico concreto (estruturado segundo a Gestalt visual),
a idéia de que a arte do passado estava em crise e que eles eram
a renovação: a arte do passado foi grande, quando
foi inteligente. Contudo, a nossa inteligência não pode
ser a de Leonardo. A história deu um salto qualitativo. Não
há mais continuidade! Então nós distinguimos: os
que criam formas novas de princípios velhos; os que criam formas
novas de princípios novos. A
exposição gerou diversas discussões no meio cultural
brasileiro. Sérgio Milliet criticou o grupo publicamente no jornal
O Estado de S. Paulo, e Waldemar Cordeiro
respondeu às críticas no Correio Paulistano. Começavam
aí uma série de polêmicas em jornais e revistas
que se estenderiam por toda a década de 50. O Grupo Ruptura
se opunha a toda arte que havia sido feita no Brasil até então
- tanto figurativa, quanto abstrata. As discussões a partir do
seu surgimento passaram a ter três vertentes: a arte figurativa,
a arte abstrata (que distorce os elementos, mas ainda se baseia na realidade),
e a arte concreta (que não quer representar a realidade, e sim
quer ser e agir na realidade contemporânea). Esta
oposição às formas de arte feitas no Brasil até
então não era meramente estética. As artes do passado
estavam ligadas a um determinado pensamento cultural que não
mais respondia às questões da vida contemporânea
industrial. O movimento concreto queria ampliar a esfera de atuação
das artes, pensando e melhorando o ambiente urbano, modernizando o meio
cultural brasileiro e, principalmente, socializando as artes e a cultura.
No
decorrer na década de 50, outros membros foram convidados a se
unir ao grupo. Foi o caso de Maurício
Nogueira Lima, Hermelindo Fiaminghi,
Judith Lauand e Alexandre
Wollner. Em
1954, no Rio de Janeiro, surgiria outro movimento concreto: o Grupo
Frente. A partir da exposição do Grupo Ruptura,
os artistas de São Paulo e do Rio de Janeiro passariam a manter
contato entre si, e realizariam juntos, em 1956/57, em ambas as cidades,
a I Exposição Nacional de Arte Concreta. Desta
exposição decorreriam uma série de polêmicas
entre os grupos paulista e carioca, principalmente entre Waldemar
Cordeiro e Ferreira Gullar, que levariam à cisão e
à fundação do Grupo Neoconcreto no Rio de Janeiro.
Os membros do Grupo Ruptura expuseram juntos durante toda a década de 50, e alguns, como Waldemar Cordeiro, Maurício Nogueira Lima, Geraldo de Barros, Alexandre Wollner e Hermelindo Fiaminghi atuaram nas áreas do design, arquitetura e paisagismo. A partir de então, as artes plásticas e a vida cotidiana na sociedade industrial passariam a se fundir cada vez mais no Brasil, abrindo caminhos para outras experiências de integração entre arte e vida que se desenvolveriam na década de 1960. Tatiana
Rysevas Guerra
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