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1948 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
O surgimento
de Cildo Meireles, como um dos mais significativos artistas
brasileiros de sua geração, coincide com o fechamento político
provocado pela promulgação do AI-5, em 1968, e o conseqüente
desenvolvimento de propostas mais conceituais.
Nascido na cidade do Rio de Janeiro, passa sua infância e adolescência
entre Goiânia, Belém do Pará e Brasília, onde,
por influência do pintor peruano Félix Alejandro Barrenechea,
passa a dedicar-se ao desenho. Por volta de 1966, quando se preparava para
ingressar no curso de arquitetura da UNB, é convidado por Mário
Cravo a expor seus desenhos no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAMB) em Salvador,
motivo pelo qual não chegou a realizar os exames de vestibular.
Em 1967, retorna ao Rio de Janeiro, onde cursa por um breve período
a Escola de Belas Artes, e freqüenta o ateliê de gravura do MAM.
Nesta época, abandona temporariamente o desenho, e dedica-se a uma
produção de cunho mais conceitual, voltada à crítica
dos meios, dos suportes e das linguagens artísticas tradicionais. Em
1969, agora como professor do ateliê do MAM, funda ao lado de Guilherme
Vaz e Frederico Morais a unidade experimental do museu, da qual passa a ser
diretor.
Desta convivência com F. Morais e Guilherme Vaz, nasceria também
“Do corpo a Terra”, manifestação realizada no Parque
Municipal, nas ruas, nas serras e nos ribeirões da cidade de Belo Horizonte,
sob a coordenação de F. Morais, em 1970. Cildo
participa com “Totem - Monumento aos presos políticos”,
na qual evocava aos presos e desaparecidos políticos do regime militar.
Nestes anos de censura, medo, e silêncio, que se seguiram à promulgação
do AI-5, Cildo Meireles destacou-se por uma série
de propostas política e socialmente críticas, como por exemplo,
seu trabalho em carimbo em notas de um cruzeiro: “Quem matou Herzog?”,
de 1975. Uma mensagem explícita, ainda que anônima, de sua visão
da arte enquanto meio de democratização da informação
e da sociedade. Motivo pelo qual costumava gravar em seus trabalhos deste
período a frase: “a reprodução dessa peça
é livre e aberta a toda e qualquer pessoa”, ressaltando a problemática
do direito privado, do mercado e da elitização da arte.
É também, neste mesmo período, que o artista elabora
seu projeto “Inserções em circuitos ideológicos”,
que consistia em gravar nas garrafas retornáveis de Coca-cola informações,
opiniões críticas, a fim de devolvê-las à circulação.
Já no final da década de 1970, passa a explorar através
de seus trabalhos, a capacidade sensorial do público (gustativa, térmica,
oral, sonora) como chave da fruição estética, e em detrimento
da predominância visual das artes plásticas. Emprega cada vez
mais, mas sempre em função de uma idéia, materiais precários,
efêmeros, de uso cotidiano e popular.
Ana Claudia Salvato Pelegrini [bolsista PIBIC-CNPq]
Daisy V. M. Peccinini [coordenadora]