HIRSZMAN, Maria. Cildo Meireles mexe com os sentidos e a razão. O Estado de São Paulo – Caderno 2, São Paulo, SP, D1, ano XV, número 4.918, 20 de julho de 2000
HIRSZMAN, Maria. Cildo Meireles mexe com os sentidos e a razão. O Estado de São Paulo – Caderno 2, São Paulo, SP, D1, ano XV, número 4.918, 20 de julho de 2000
HIRSZMAN, Maria. Cildo Meireles mexe com os sentidos e a razão. O Estado de São Paulo – Caderno 2, São Paulo, SP, D1, ano XV, número 4.918, 20 de julho de 2000


Parla
, 1982

Granito, madeira, couro
125,0 X 50,2 X 110,0 cm
Aquisição MAC-USP

Ver obra ampliada

PARLA.2 : obra acervo MAC-USP. IN: AMARAL, Aracy. "Perfil de um acervo". São Paulo: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 1988. p.334.

"Parla" faz parte de um conjunto de seis trabalhos que Cildo Meireles denominou de Objetos Semânticos, que foram exibidos em 1983, na mostra individual Obscure Light/Obscura Luz realizada na Galeria Luisa Strina, em São Paulo.

Nesta obra mista de tridimensional e instalação, na qual blocos de granito parecem estar sentados sobre a cadeira que lhes sustenta, o artista convida o espectador a se sentar no bloco de granito aparentemente reservado a esta função. Uma vez sentado, defronte aos blocos de granito que parecem estar sentados sobre a cadeira que lhes sustenta, seria então o espectador-participante o pensador desta obra, em uma possível referência à famosa escultura de Rodin.

Mas as referências aos grandes mestres da escultura ocidental não se esgotam aí. O próprio título da obra, Parla, evoca o célebre imperativo atribuído a Michelangelo que, quando diante de uma de suas esculturas, teria exclamado: Parla! Uma vez que de tão fidedigna a natureza humana só lhe faltava falar.

Evocando um objeto comum - uma cadeira de madeira, Cildo Meireles oferece um caráter ambíguo ao material utilizado. Além disso, o artista funde presente, passado e futuro numa só obra, fazendo citações e segmentos da história da arte. Deste modo, o artista não se atém às limitações do tempo e direciona a obra para se comunicar e se aproximar da vida, deixando leituras, narrativas e lacunas abertas que cabem ao observador interpretá-las.

Parla é, portanto, um jogo entre o artista e o espectador, que para jogar deve interagir com a obra, participando, mas também um jogo entre o artista e sua tradição artística-cultural.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
[PIBIC-CNPq]

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]