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Fernando Limberger
Sem título, 1989
Após
o desprezo da escultura, que recebeu a mesma discriminação direcionada
à pintura por ser uma linguagem artística tradicional durante
meio século, ela também ressurge no pós-moderno e promete
novas e mais amplas possibilidades de expressão. Até recentemente
a escultura era prejudicada por sua identificação com exigências
do modernismo, porém, na década de 70 e ainda mais vigorosa
na década de 80, a escultura desmobilizada de preceitos formais se
abre para o uso de materiais diversos como: objetos descartáveis, aparelhos
elétricos, têxteis, ready mades e materiais industriais. Assim
como a pintura, a escultura se mostrou renovadora sobre os limites formais
de meios artísticos julgados convencionais.
Afinada com o
pós-moderno, a escultura desestetiza o objeto tridimensional e não
prioriza o tempo histórico de forma linear, isto é, ela funde
presente, passado e futuro numa só obra, após retirar citações
e segmentos da história da arte. Deste modo, o artista escultor se
vê livre para compor escolhas e procedimentos individuais. De acordo
com Peccinini, esta estratégia abrange a utilização de
todos e quaisquer meios e materiais, passo decisivo da escultura para uma
autonomia e licença ilimitadas. Neste sentido a subversão
da ordem dos materiais em outro sistema de relação revela outras
realidades e abre percepções inumeráveis." (PECCININI,
Daisy V. M. Os tridimensionais do MAC - segmentos da História da
Escultura. IN: Sedução dos Volumes. Catálogo: São
Paulo, MAC/USP, 1992, p. 17.)
Neste cenário,
circulam livremente apropriações de objetos comuns (ready made),
tecnologias e sínteses com materiais industriais e naturais, a fim
de despertarem efeitos perceptivos sensuais, irônicos, sensoriais e
de antagonismo no público. Os materiais são dispostos de modo
a experimentar o que eles possibilitam de potencialidades para expressividades.
A escultura como
meio expressivo se questiona a todo momento. Vale dizer, que ela ampliou seu
campo criativo ao trabalhar com instalação e objeto, especialmente
em espaços públicos. A intenção da obra tridimensional
surge como comunicação e aproximação da vida,
deixando leituras, narrativas e lacunas abertas que cabem ao observador interpretá-las.
Luciana
de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V.
M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]

Sérgio Romagnolo
São Jorge , 1989