![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Nos anos 80
há um jogo do pós-moderno acentuando outros aspectos que dizem
respeito a valores subjetivos. A pintura, que gira em torno do indivíduo
consumista, hedonista e narcisista, é a encarregada de explorar as
sensibilidades remanescentes da sociedade na era da globalização.
Ela revela que as vanguardas não esgotaram a criatividade das formas
tradicionais da arte.
No primeiro momento
do Pós-Moderno, com raras exceções, os artistas repudiavam
as linguagens tradicionais da arte (pintura e escultura) por serem corrompidas
e dependentes do mercado de arte. Os antecedentes da crise da pintura remontam
ao Dadaísmo e ao pensamento de Duchamp, ambos discriminavam a pintura
por ela representar o bom gosto da burguesia. Suas idéias
de repúdio à pintura se espalham pela década de 70, na
qual a arte é expressa sob meios anartísticos como o carimbo,
postais, vídeo, holografias, fax etc.
O retorno do
prazer da pintura nos anos 80 rompe com os limites de recursos que caracterizava
a década anterior. A pintura passa a ser concebida a partir de novos
pressupostos: uso abusivo das cores, grandes formatos, uso de objetos do cotidiano
adotados como suporte pictórico da obra, gestualidade, figurativismo
e expressionismo. Jovens pintores transitam constantemente entre a tradição
da história da arte e os fragmentos do mundo atual, realizando uma
pintura híbrida e contínua.
A globalização
como fenômeno da sociedade contemporânea e a desterritorialização
da produção artística começam a se fortalecer
na virada da década de 70 para 80. Esta nova fase artística
recebeu várias denominações: Transvanguardia na Itália;
Neo-Expressionismo na Alemanha, Holanda e Bélgica; e Pattern ou Bad-Paiting
nos EUA. O manifesto da Transvanguardia de Achille Bonito Oliva traduz o espírito
da retomada da pintura nos anos 80. Reconhece o processo de desterritorialidade
da arte (movimento que opera além das fronteiras) como internacionalização
das artes, o qual pode ampliar os limites do circuito da arte. Oliva quer
subverter as regras e valores da vanguarda e cruzar contradições.
Nesse sentido, o artista diante de um leque aberto de opções,
incluindo recortes do passado, pode manter sua mentalidade nômade, transitória
e sem tendências, ou seja, Oliva acredita que os fragmentos espalhados
pelo mundo no qual vivemos são sinais de uma contínua mutação.
Enfim, a pintura
renasce da desmaterialização dos anos 70 livre para a criação-citação
(pintura híbrida); ironizar ao inverter significados padronizados;
representar imagens desencaixadas; ultrapassar limites da moldura do quadro
com grandes formatos e cores atrativas; escolher entre múltiplos materiais
e técnicas; e optar por signos figurativos ou abstratos. Desde os anos
60 é difícil encontrar categorias ou grupos estáveis
no campo artístico, mas essa característica se intensifica com
a vitalidade gestual da pintura, preocupada em libertar-se de ditames, escolas,
estilos ou relações consagradas na arte moderna. A intenção
é aproximar a arte à cultura de massa.
Luciana
de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V.
M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]
