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O alto nível
do progresso tecnológico, nunca antes visto na história da humanidade,
tem como decorrência uma transformação de valores na sociedade,
propiciando novos dilemas e embates culturais. Os artistas pós-modernos
propuseram um novo modo de ver o mundo, ligando linguagens artísticas
a um tipo de realidade multifacetada, fragmentada e híbrida. Buscam
manifestar sentimentos emotivos numa sociedade acusada por eles de ser fria,
calculista, apressada e ambiciosa.
Pós-Modernismo
é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências,
nas artes e nas sociedades desde 1960, quando o cotidiano é invadido
pela tecnologia eletrônica, visando saturações de informações,
diversões e serviços que produzem um mundo de simulação.
Os meios de comunicação não informam sobre o mundo, eles
o transforma num espetáculo de simulacros para satisfazer a ávida
sociedade de consumo.
Pode se dizer,
que a Art Pop foi a pioneira expressão artística do pós-moderno.,
A Pop, que nasce na Inglaterra mas ganha força em Nova Iorque, ironiza
os ícones do consumismo que a sociedade idolatra, ao mesmo tempo, luta
contra o subjetivismo e o hermetismo modernos. Ela emerge com a explosão
das comunicações de massa com linguagem assimilável pelo
público de signos e de objetos de massa, utilizando um hiper-realismo
ao copiar em tinta acrílica, serigrafia, ready made e assemblage a
vida diretamente em seus objetos do cotidiano. Finalmente, a Pop esgota os
ismos e os códigos estéticos do modernismo, pondo
fim à beleza como valor supremo da arte.
A arte Conceitual
na década de 70, dá um passo a mais em direção
ao vazio pós-moderno. Ela desmaterializa a arte ao dar um sumiço
em seu objeto. Pinturas e esculturas são supérfluas, pois somente
existe interesse pela idéia, a criação mental do artista,
registrada num esboço, esquema ou frase.
O momento pós-moderno
não apresenta propostas definidas, nem coerências, tampouco linhas
evolutivas. Deste modo, diferentes estilos convivem sem choques formando ecletismos
e pluralismos culturais. Não há grupos ou movimentos unificados.
Além disso, ele não se desfaz do passado que é agregado
ao pós-moderno, apenas o tradicional foi eliminado.
Um clima de incertezas
e uma dificuldade de sentir ou representar o mundo são as condições
do pós-moderno. Diante da sensação de irrealidade, da
desordem e do vazio, a sociedade cada vez mais se individualiza e se torna
apática. Ela não encontra valores e sentido para a vida, somente
se entrega ao prazer imediato e ao consumismo. Portanto, ela não desenvolve
pensamentos profundos ou existenciais, mas apenas repostas rápidas
e adequadas à era do consumismo exarcebado.
É o indivíduo
pós-moderno, símbolo maior e centro da decadência de valores
humanos, que será atingido e tematizado pela arte contemporânea.
A arte atual, ao criticar a tecno-ciência aliada ao poder político
e econômico, desconstrói o mundo para revelar o que está
por trás do sistema, buscar liberação individual e aumentar
a percepção do mundo em que se vive. Para tanto, o público
passa ser a chave central da realização da arte. O espectador
entra e faz intervenções na obra. Em uma manobra onde artista
é suprimido, o observador pode recompor a obra em qualquer ordem que
faça sentido para si próprio.
A desordem é
fértil no campo artístico. Ela propicia multiplicidade nas expressões
artísticas através de infinitas técnicas sobre os mais
variados materiais e suportes como pintura, escultura, desenho, cinema, artes
gráficas, arte corporal, vídeo e música, isto é,
infinidades de possibilidades construtivas na materialização
de um sentido que procura impactar o público. É um movimento
que não finda e que vive em constante reorganização.
Luciana
de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V.
M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]