ARTE E TECNOLOGIA

Neste novo século, onde a tecnologia absorve todos os meios e a necessidade de um diálogo com a urbe se apresenta de forma incontestável, a Instalação e a Arte Pública - as intervenções urbanas que nasceram a partir de sua poética, trazem em sua linguagem as questões primordiais de uma nova discussão onde espaço e tempo ,se apresentam de forma plena e virtual trazendo ao mundo uma nova visão de realidade a ser dissecada.

Mediante a alta tecnologia de comunicação à distância, conformou-se uma comunidade de milhares de artistas operadores, sem preocupações com mercado de arte, ou com a autoria única da obra, ou ainda com a qualidade e preciosismo de materiais ou fatura, a perenidade da arte não os preocupa, na efemeridade da operação que atuam, relacionando o humano e a alta tecnologia.

A expressão arte e tecnologia que se usa atualmente, é uma referência datada da desenvolvimento da informática, e sua aplicação como instrumento-meio na criação artística. O Brasil tem seu pioneiro mundial , nas experimentações de Waldemar Cordeiro, em arte-computador, em 1968, com a colaboração do físico –matemático da USP, Giorgio Moscati. Avançando em suas pesquisas, trouxe e expôs também em 1971, um contingente de trabalhos de autores internacionais , na “Arte Eônica”, em S. Paulo. Sua morte prematura originou um hiato nas pesquisas só retomadas , quase dez anos depois por Julio Plaza, artista e professor da USP e os poetas concretos Haroldo e Augusto de Campos, com os recursos do Videotexto.

Na década de 80 com a emergência do PC, personal computer, abriu-se a possibilidade ao artista operar o seu pc, e por intrincados meios, geralmente linhas telefônicas , entrar em contacto e intercâmbios com outros artistas, configurando-se redes, de início descontínuas, e regionalizadas. O ano de 1994 foi um marco histórico, com a emergência da Internet, significado da sigla é rede internacional, uma plataforma ilimitada e livre.A outra denominação da Internet, Web, é significativa de que a trama de contatos se instaurava e por onde um oceano sem fim de informações imagens, sons circulava. O ciberespaço, segundo Pierre Lévy sem limites e sem fundo, é o espaço e tempo virtual da cibercultura, locus das proposições da Arte e Tecnologia .

Se a solução da intercomunicação fluída, e por isso mesmo instável se verifica com a Internet/Web. Uma outra linha de pesquisa da arte e tecnologia foi a exploração de novas visualidades, mediante uso de softwares cada vez mais sofisticados e de incontáveis recursos. estes programas de computação gráfica com múltiplas possibilidades cromáticas, otimizarão tecnologicamente os instrumentos de desenho e da pintura artesanal- lápis ou carvão, pastel, e as tintas a óleo ou acrílicas etc. Na pesquisa das imagens, não só a construção destas, através d programas, bem como as interferências sobre imagens acontecem, via apropriação de fotos digitalizadas, cujas imagens se desconstroem e se fragmentam ou se intersecionam se hibridizam, ganham animação e som integrados, mediante labirínticos processo de filtros, e renascem transformadas, como na série de gravuras eletrônicas, Tributo 21, de Robert Rauschenberg. Os produtos da Arte e Tecnologia, por sua instabilidade e abertura , quanto a formatos e autoria e às vezes sua existência em tempo e espaço virtual se confrontam com o sistema da museologia- documentação , catalogação e preservação. No MAC-USP, com exceção de raras obras que na coleção, têm um suporte estável como as gravuras eletrônicas de Rauschenberg, a proposta foi abrir um território virtual para as manifestações desta natureza, como é o caso de Plataforma 21.

Daisy Peccinini [coordenadora]